Directed by
Ideas for growth
Menu
Directed by
Ideas for growth
Menu
Projects
Publications

Quer se tornar um empreendedor em Moçambique? 3 Coisas que você precisa saber!

Os economistas do IGC-Moçambique, Novella e Jorrit, compartilham connosco algumas lições do Workshop sobre Desenvolvimento do Sector Privado realizado em Maputo no mês de Março de 2016. Com um défice geral de qualificações e um fraco sistema de informação sobre o mercado laboral, os empresários em Moçambique tem que encontrar meios inovadores para superar as barreiras à criação de equipas de trabalho bem-sucedidas, capazes de garantir o crescimento das suas empresas

Imagine que você é um empresário e decide começar um negócio em Moçambique. Embora a criação de uma nova empresa possa ser complicado em qualquer parte do mundo, há um conjunto de factores  em Moçambique que tornam o processo ainda mais complexo. Neste caso, que tipo de desafios vai enfrentar? Em primeiro lugar, se estiver à procura de pessoal local que fala Inglês e que tenha um mestrado ou MBA será uma grande batalha para achar candidatos com esse perfil. Adicionalmente, mesmo se identificar um candidato, é provável que já esteja empregado e esteja a procura de melhores oportunidades e, com expectativas salariais muito elevadas. Finalmente, depois de começar a trabalhar para a sua empresa, ainda é muito provável que ele continuará a procurar melhores condições de trabalho pesquisando nos vários portais de emprego online, pelo que poderá ficar envolvido no seu negócio por um período muito curto. De toda forma, com uma taxa de 5,9% de penetração da Internet, Moçambique não é um país onde você pode depender exclusivamente de portais de emprego on-line para recrutar o seu pessoal, especialmente se o seu objetivo for de construir maior capacidade com a força de trabalho local.

 

Mozambique_Entrepreneurs_business-725x544

Os empresários que participaram no Workshop recente do IGC sobre Desenvolvimento do Sector Privado [1] realizado em Maputo em Março 2016, interagiram com investigadores fazedores de políticas públicas, e assim entendemos um pouco melhor o porque a situação acima descrita é tão desafiadora em Moçambique. Assim, trazemos três lições principais dai aprendidas:

# 1 As Habilidades são relevantes em praticamente todos os segmentos da economia.

Idealmente, o papel das competências profissionais no desempenho das empresas seria maior nos segmentos da economia que contam com trabalhadores altamente qualificados. Contudo, os resultados preliminares de um projeto de pesquisa do IGC sobre microempresários nos subúrbios de Maputo, apresentados durante o workshop pelo Prof. Pedro Vicente, mostram que um módulo de formação relativamente simples em literacia financeira pode aumentar de forma impressionante  as vendas (64%) dos microempresários com relativamente baixas qualificações. Os microempresários que fizeram parte da amostra foram: retalhistas, sapateiros, costureiros, alfaiates e cabeleireiros. A formação em literacia financeira foi focada na explicação dos benefícios da poupança e investimento e, ao mesmo tempo, na introdução de procedimentos de contabilidade simples como um diário das contas.

Continuando, um outro desafio para o nosso empresário poderia ser encontrar um bom gestor ou um executivo financeiro altamente qualificado para a sua empresa. Mas a boa notícia para o nosso empresário é que de acordo com resultados preliminares do projeto IGC liderado pela professora Cláudia Custódio, os executivos financeiros das 100 maiores empresas de Moçambique estão no mesmo nível  em termos de conhecimento das ferramentas de gestão com os seus homólogos Americanos. No entanto, enquanto a Taxa Interna de Retorno e o Valor Presente Líquido são as técnicas mais usadas para a seleção de projetos e previsão orçamental nos EUA, os gestores Moçambicanos usam uma gama mais ampla de técnicas. Por exemplo para estimar os custos de capital, o CAPM (Capital Asse Pricing Model), que é de longe a técnica mais utilizada nos EUA (74%), é muito menos usado pelos gestores moçambicanos (21%). Em ambos os casos, a diferença pode estar ligada à necessidade dos gestores de se adaptarem ao contexto local. Neste contesto, a dificuldade de acesso a dados apurados pode obrigar os gestores Moçambicanos a usar uma combinação de técnicas.

# 2 As Novas tecnologias de informação podem aumentar as desigualdades ou ter um efeito de nivelamento dependendo do contexto.

Em Moçambique, a taxa de penetração da Internet é muito baixa, cerca de 5,9%. Conquanto, vários estudos tem mostrado que os portais de emprego online podem melhorar a eficiência do mercado de trabalho, reduzindo os custos de procura e agregando escala, o que leva à melhores resultados tanto do lado da procura  bem como da oferta de emprego. Em outras palavras, haveria grandes benefícios para o nosso empresário se pudesse aceder a um segmento muito mais amplo da oferta de trabalho simplesmente por colocar a sua vaga num portal de emprego online.

No caso concreto se o nosso empresário decide recrutar online usando por exemplo o site: www.emprego.co.mz, um dos mais usados portais de emprego em Moçambique, o estudo do prof. Pedro Martins mostra que vai encontrar uma audiência em que 1) os utilizadores registados são, em média, relativamente jovens (idade média de 25) e têm um nível médio de escolaridade de 13,4 anos e 2) 70% das pessoas à procura de emprego já estão empregados, o que implica que estão à procura de melhores condições de trabalho. Este cenário levanta uma dúvida: como melhor atingir os 22,6% da população que está oficialmente desempregada? Parece que os portais de emprego online podem não ser melhor maneira de chegar até eles, pelo menos neste momento.

De qualquer forma, as novas tecnologias também podem desempenhar um papel nivelador. Um estudo anterior do IGC realizado em Moçambique e liderado pelo Prof. Pedro Vicente, avaliou o papel das novas tecnologias ao nível das famílias das zonas Rurais. Este estudo mostrou que o acesso aos serviços bancários móveis nas zonas rurais do Sul de Moçambique aumentou a probabilidade de as famílias do meio rural receberem remessas dos seus parentes que trabalham na capital e melhorou significativamente a resistência aos choques negativos. Os resultados preliminares do projecto de pesquisa sobre os microempresários mostram ainda que o efeito positivo da formação em literacia financeira poderia ser ainda mais reforçado pela introdução em simultânea de uma conta móvel de poupança.

# 3 A colaboração entre o sector público e privado pode trazer grandes benefícios para ambos os lados.

Infelizmente, hoje em dia o nosso empresário não seria capaz de reunir informação sobre o mercado de trabalho Moçambicano de forma rápida e segura. Contudo, a recente criação do Observatório Nacional do Mercado de Trabalho pelo Ministério do Trabalho poderá melhorar este cenário nos próximos anos. As informações recolhidas e analisadas por este novo departamento vão identificar desfasamentos no mercado de trabalho e servir de base para a formulação de politicas em várias dimensões. Por exemplo, poderá orientar a revisão curricular do presente sistema de ensino nacional desde a base até ao topo.

Nos países em desenvolvimento, a recolha de dados confiáveis sobre o mercado de trabalho geralmente não é uma tarefa fácil. O estudo do Pedro Martins sugere que as parcerias público-privadas podem ser um caminho promissor para melhorar a recolha de dados. Seus resultados preliminares sugerem um desalinhamento das competências – mais de 50% dos graduados aplicam para empregos que não requerem graduação. Além disso, analisando o tipo de vagas nota-se que os empregos não-técnicos atraem mais interesse dos candidatos em comparação com os empregos com um carácter técnico. Mesmo que os dados não sejam representativos, é este tipo de informação que é relevante de gerar para os Governos. O novo Observatório do Mercado de Trabalho necessitará de uma vasta gama de dados – incluindo aqueles dos portais de emprego online já disponíveis – para permiti-lo oferecer uma visão realística e detalhada do mercado de laboral.

Próximos passos

O emprego é uma peça fundamental do quebra-cabeça de como  realizar a transformação económica estrutural nos países em desenvolvimento. Com um pouco de sorte – e provavelmente em alguns anos- o nosso empresário vai aproveitar os benefícios destas três lições aprendidas, caso sejam tomadas em conta no desenho das políticas públicas em Moçambique.

 

[1] Um grupo de pesquisadores ligados à rede do IGC apresentou os resultados preliminares de 3 projectos de investigação, durante um evento organizado em conjuntamente pelo Ministério da Economia e Finanças e o IGC, no Hotel Avenida, no dia 24 de Março de 2016, subordinado ao tema “Desenvolvimento do Sector Privado: Enfoque na Formação de Gestores e da Força Laboral em Moçambique”. Todos os materiais do evento podem ser incontrados aqui.

Comments

Leave a Reply

Comments will be held for moderation. Your email address will not be published.

Time limit is exhausted. Please reload CAPTCHA.